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O CÉREBRO EM FUNCIONAMENTO: DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM

O CÉREBRO EM FUNCIONAMENTO: DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM

Márcia Regina Silva Rodrigues [1]

Camilla Pereira Novaes [2]

RESUMO

A necessidade de se estudar a aprendizagem nasce da importância que a mesma exerce no cotidiano dos seres humanos, resultando então no desempenho cerebral que poderá ser satisfatório ou não à maneira como o indivíduo envelhece, pois suas funções corpóreas dependerão do funcionamento do seu cérebro e portanto, a aprendizagem não se configura de forma diferente. O objetivo principal está no cérebro humano, observando seu funcionamento e a influência de suas atividades para o desencadear de uma aprendizagem que se efetivará na maneira como cada indivíduo a desenvolve. Serão expostas algumas funções de cada hemisfério, explanando sua importância no desenvolvimento da aprendizagem, baseando este estudo em artigos e livros lidos a respeito, concluindo que o cérebro precisa de estímulos para manter-se vivo e atuante.

Palavras-chave: hemisfério – cérebro - aprendizagem

O cérebro humano possui como principal característica a capacidade de adequar novas informações em seu sistema à medida que conhece e/ou estuda pessoas novas, coisas novas. Essas adequações acontecem de acordo com seu desenvolvimento e funcionamento. A tal característica dá-se o nome de plasticidade, justificada pelo modo como o cérebro é capaz de introduzir novos dados aos já existentes.

Como resultado dessa plasticidade cerebral, obtêm-se a aprendizagem, caracterizada pela maneira como as pessoas apreendem coisas novas, acrescentando-as ao cérebro, mantendo-o então ativo, com novas informações. Tais informações ativam os neurônios e os impedem de danificar ou mesmo morrer, uma vez que a morte dos neurônios ocorre através de sua acomodação e falta de novos estímulos ou dados.

O principal objetivo desta pesquisa visa expor informações sobre o funcionamento do cérebro mostrando a necessidade de estimulá-lo, discute também sobre o desenvolvimento da aprendizagem na vida do ser humano.

O estudo está dividido em três partes, na primeira relata sobre as características da aprendizagem, no segundo momento discute sobre o desenvolvimento do hemisfério cerebral direito, na terceira parte fala sobre o estímulo dos dois lados do cérebro e no final apresenta as considerações do presente trabalho.

De cunho descritivo, apresenta fundamentação teórica embasando o estudo com referencial bibliográfico tendo como alicerce as pesquisas sobre o cérebro de Carneiro (2000), Katz (2010), Silveira (2004), Gomes (1999), Peyachaux (2003), Rato (2009) e Gouveia (2011)

1-Funcionamento Cerebral: Características da Aprendizagem

Ao longo dos anos, o cérebro humano vai “perdendo” neurônios, que são suas principais vias de funcionamento, e essa perda se configura com a morte dos mesmos devido à rotina adotada em seu cotidiano, o que os torna responsáveis por uma espécie de “acomodação” do cérebro, que então deixa de receber estímulos elétricos novos. Certamente, essa afirmação se dá em indivíduos saudáveis, ao contrário dos fumantes ou alcoólatras, uma vez que a bebida, as drogas e o fumo aumentam o índice de neurônios mortos no cérebro.

As lesões cerebrais também são responsáveis pela perda de funções e/ou mal funcionamento e desempenho dos neurônios. O exercício de estimular o cérebro adicionando novas experiências, novos estudos, conhecendo novas pessoas certamente o manterá mais ágil e ativo.

Desse modo, pode-se dizer que a aprendizagem está diretamente relacionada ao adicionar de novas informações no cérebro. Portanto, cada indivíduo adquire ao longo de sua vida um estilo próprio de aprendizagem, resultante de sua vivência e que vem a desencadear os processos pelos quais seu cérebro se submete.

Segundo Weiss (2007, p. 1), o momento no qual se está aprendendo é quem determina a forma de aprender, uma vez que a aprendizagem de algo novo hoje é resultado da soma do que fora aprendido antes, e futuramente ambos se somarão ao que virá posteriormente a ser aprendido. Assim, as experiências e relações sociais acabam por influenciar na aprendizagem.

Segundo Carneiro (2000)

A grande maioria das pessoas foi acostumada a pensar e agir de acordo com o paradigma cartesiano, baseado no raciocínio lógico, linear, seqüencial, deixando de lado suas emoções, a intuição, a criatividade, a capacidade de ousar soluções diferentes.

Percebe-se que grande parte da população tem o hemisfério cerebral esquerdo como dominante, e em decorrência, seu lado direito se desenvolve com maior facilidade, visto que os hemisférios cerebrais coordenam seu lado oposto. Exemplo: O hemisfério esquerdo coordena todo o lado direito do corpo e vice-versa.

É no hemisfério esquerdo onde se desenvolve a capacidade de escrita e definição – tanto dos movimentos corpóreos, quanto da compreensão e significação das coisas em volta. Uma vez desenvolvidos os dois hemisférios e estimulados semelhantemente, tais capacidades serão desenvolvidas por ambos.

O ideal é que nos utilizemos de todo o potencial do cérebro, riquíssimo, surpreendente!

Quando levamos uma vida inteira exercitando quase que só as funções do hemisfério esquerdo, ou só o lado direito, ocorrem as doenças cerebrais degenerativas, tão temidas, como o mal de Alzheimer, por exemplo. Necessitamos, portanto, estimular as diversas áreas do nosso cérebro, ajudando os neurônios a fazerem novas conexões, diversificando nossos campos de interesse, procurando nos conhecer melhor para agirmos com maior precisão e acerto (CARNEIRO, 2000).

Um bom exemplo de estímulo para o hemisfério direito é desenhar com a mão esquerda, tentar escrever com ela, tentar realizar movimentos cotidianos com a mão oposta, como escovar os dentes, por exemplo. Todas estas atividades fazem parte da lista de exercícios neuróbicos, segundo a teoria de Lawrence Katz (2010, p. 11), “a neuróbica tem como objetivo ajudá-lo a manter um nível permanente de capacidade, força e flexibilidade mental à medida que vai ficando mais velho”

Necessário é que se compreenda o cérebro com a importância a que se deve, trabalhando-o como um todo, visando um desenvolvimento saudável, contínuo e completo do mesmo, buscando realizar atividade diferentes e não rotineiras.

O programa de exercícios oferece ao cérebro experiências fora da rotina ou inesperadas, usando várias combinações de seus sentidos- visão, olfato, tato, paladar e audição -,além do “sentido” emocional. Estimula padrões de atividade neural que criam mais conexões entre diferentes áreas do cérebro e fazem com que as células nervosas produzam nutrientes naturais do cérebro, as neurotrofinas, que podem aumentar de maneira considerável o tamanho e complexidade das dentrites das células nervosas. As neurotrofinas também tornam as células ao redor mais fortes e resistentes ao efeito do envelhecimento. (KATZ, 2010, p.11)

Assim, pode-se notar que a adaptação do cérebro à aprendizagem, nada mais é do que o resultado de estímulos e respostas que lhe são impostos. Portanto, a partir das particularidades do funcionamento cerebral e das singularidades que cada indivíduo adquire ao longo da vida é que se desencadeia a maneira como cada um irá aprender o que lhe é ensinado. Vale ressaltar que a cada novo assunto ao qual o indivíduo se expõe, não há uma absorção de 100% do mesmo, o que aponta ainda mais para o bom exercício cerebral.

2- Hemisfério Direito: O Desenvolvimento Artístico

O hemisfério direito do cérebro humano é responsável pelas relações não-verbais bem como a imaginação e criatividade. É o lado onde se desenvolve o raciocínio abstrato das coisas.

Por sua forte característica de desenvolvimento da criatividade e imaginação, o hemisfério direito é o responsável pelo desempenho artístico do indivíduo, permitindo-lhe expressar-se através de pinturas, esculturas, poesias, danças, música, dentre outros.

O desenvolvimento sadio do cérebro atua diretamente sobre a capacidade cognitiva. Quando ativado para funções como a linguagem, a matemática, a arte, a música ou atividade física que facilitam para que as crianças desenvolvam seu potencial e sejam futuros adultos inteligentes, confiantes e articulados (SILVEIRA, 2004, p.1).

Com o passar do tempo, conforme já fora dito, a tendência do cérebro humano é ir acomodando-se, o que acaba por prejudicar ou mesmo matar alguns neurônios pela falta de novas informações, novos dados. Portanto, quando o potencial do indivíduo é desenvolvido desde criança, quando este chega à fase adulta, sua inteligência terá sido ativada e trabalhada bem como as articulações cerebrais de aprendizagem, e então, terá seu próprio modo de como aprender e o desenvolvimento das funções artísticas se fará mais clara e evidentemente.

Assim, quando não estimulado, o cérebro de um indivíduo adulto perde características que um bebê desenvolve no início da vida, como é o caso da diferenciação sonora.

A percepção fonética do bebê apresenta características similares às daquelas encontradas no adulto. Ela é, como no adulto, categorial, e as categorias fonéticas são estruturadas. Mas ao contrário dos adultos, eles são capazes de discriminar contrastes fonéticos não utilizados na língua materna. (GOMES, 1999, p. 1)

Os bebês discernem diferenciações sonoras minuciosas que com o passar do tempo acomodam-se ao cérebro como se fossem caracteres parecidos ou iguais que não mais são percebidos pelo cérebro, ou seja, essa percepção fica alocada no cérebro, porém, como que “adormecida”, precisando apenas de estímulos para voltar à tona.

O hemisfério cerebral direito também é capaz de compreender as semelhanças existentes entre as coisas e, quando essa característica se associa à sua capacidade de raciocínio abstrato, torna-se capaz de visualizar o todo das coisas, como é o caso de um pintor, como explica Gouveia (2011)

Quando um artista se prepara para começar a pintar, ele precisa da habilidade de visualizar na sua mente o resultado final, depois começa a desenvolver a obra em detalhe, escolhendo as cores adequadas, colocando as sombras e luzes, e trabalhando vários pormenores em conjunto e ao mesmo tempo. Isto significa que o hemisfério direito está a trabalhar processando a informação do geral ao particular, do volume ao detalhe. E processando toda a informação em simultâneo.

É preciso observar que o cérebro humano possui singularidades, minúcias e mistérios ainda desconhecidos. Aos poucos, a ciência progride, conhecendo novas funções e evoluções cerebrais como é o caso da adaptação de um hemisfério às funções do outro quando estimulado. Por exemplo, quando uma criança epilética necessita da retirada de uma parte de seu cérebro para cessar suas convulsões, o lado oposto, quando estimulado, assumirá as funções designadas e desenvolvidas pelo hemisfério retirado. Com certeza, a área utilizada a partir de então, será maior do que anteriormente, no entanto, o cérebro conseguirá, num espetáculo maravilhoso, adaptar-se às suas novas condições.

Dessa forma, quando retirada parte do córtex esquerdo, responsável pela linguagem e escrita, por exemplo, caberá ao hemisfério direito a função de desenvolver então tais funções e isso ocorrerá mediante exercícios como escrever com a mão a qual não se estava habituado, da mesma forma, escovar os dentes, pentear os cabelos, varrer a casa, lavar a louça etc.

Percebe-se que o desenvolvimento das aptidões acaba por influenciar na aprendizagem uma vez que o cérebro é estimulado ao que, portanto, contribui com o desenvolvimento cognitivo do ser humano, o que não explica por completo a aprendizagem, pois a mesma evolui de acordo com o estímulo delegado ao cérebro, o que faz com que se aprenda com maior eficácia.

3- Estimulando os dois hemisférios: Lógica e Criatividade

Em decorrência de tudo o que já fora dito até agora a respeito da lateralidade do cérebro, pode-se perceber que as atribuições de cada hemisfério, quando trabalhadas e desenvolvidas continuamente, ao somar-se tornam possível ao indivíduo um funcionamento cerebral satisfatório e capaz de estimular simultaneamente sua capacidade lógica e criativa.

Uma vez que as metodologias adotadas sejam apropriadas para ambos os hemisférios, as potencialidades cerebrais se desenvolverão com maior facilidade e agilidade.

Sendo o hemisfério esquerdo o responsável pelo desenvolvimento das habilidades lógicas, pode-se afirmar então, que a partir daí se podem ser estimulados os cálculos matemáticos e a exatidão das coisas. Peyachaux (2003, p. 14)

Por meio da observação de pacientes com lesões cerebrais, a ciência, aos poucos, descobriu que uma lesão ocorrida no hemisfério esquerdo, dependendo da sua intensidade, pode provocar a perda da fala. Isso ocorre porque, ao que tudo indica, a capacidade de falar e o domínio da linguagem oral estão relacionados ao hemisfério esquerdo e este, por sua vez, compreende a capacidade de raciocínio, pensamento e desempenho das atividades intelectuais.

Em contraposição está o hemisfério direito, responsável então pelas aptidões direcionadas à criatividade “se especializa na percepção da imagem da forma global e sua função consiste, principalmente, em sintetizar a informação que recebe através da modalidade visual”. (ibidem, p. 15)

Um cérebro que recebe frequentemente exercícios para o seu bom desempenho e funcionamento, torna-se capaz de agregar ambas as características cerebrais anteriormente citadas, o que resultará no que se pode chamar de funcionamento lógico-criativo, ou seja, quando as funções cerebrais se unem a ponto de criar um desempenho simultâneo entre as potencialidades dos dois hemisférios.

Como exemplo, pode-se observar um escultor que, milimetricamente, cria uma peça adequando-a a medidas exatas e ao mesmo tempo, sendo criativo por sua inovação, exclusividade, movimentos e expressividade que dá à peça a qual está criando.

Desenvolver a criatividade para evoluir e crescer não acontece apenas porque se usa o raciocínio ou se pratica a leitura. Isso não basta! A realidade deve ser sentida, isto é compreendida e não apenas entendida intelectualmente. Compreensão exige emoção, coração, em definitivo; enxergar a vida sob uma ótica diferente. Acredita-se que os artistas, por exemplo, desenvolvem mais esses potenciais, pois tais pessoas trabalham com a linguagem da imagem, linguagem esta que está ligada ao mundo da emoção. Por esse motivo, eles são capazes de gerar “um ponto de vista diferente”, um ponto de vista criativo, fora dos padrões lineares e repetitivos comandados pelo velho programa mecânico e racional. (PEYACHAUX, 2003, p. 10-11)

A criatividade humana não está empregada apenas no sentido abstrato das coisas: “embora a criatividade possa expressar-se tanto em bens intangíveis como tangíveis [...]” (RATO, 2009, p. 17). É de caráter empírico, desempenhando-se à medida que o indivíduo consegue visualizá-la em sua própria vida, compartilhando experiências e expressando-as aos outros.

Assim, na actualidade, as investigações sobre criatividade também contemplam a diversidade de condições externas como o ambiente interpessoal, disciplinar e sócio-histórico-cultural que interferem e condicionam a produção criativa (RATO, 2009, p.20).

Dessa forma, a maneira como o indivíduo vê as coisas é uma visão completamente influenciada por sua cultura, por suas relações sociais, e isso se refletirá na maneira como ele “soltará” sua criatividade para então mostrar sua visão de mundo para os outros.

A criatividade pode também desencadear-se mediante a lógica, a matemática, a exatidão. Portanto, lógica e criatividade são produtos de um cérebro pensante, atuante, em atividade e acima de tudo, estimulado.

Uma vez ativadas as funções cerebrais de ambos os hemisférios de maneira a serem efetivadas num processo simultâneo a nível de um desenvolvimento cerebral completo, o desempenho cognitivo, ou seja, a capacidade de aprendizagem será ampliada, pois tais fatores mantêm o cérebro ativado, fazendo com que suas funções, sejam elas as de trabalhar o lógico, a criatividade ou as demais, influenciem na maneira como se processará a aprendizagem. Daí a necessidade de manter o cérebro atualizado e em constante atividade, utilizando então a criatividade como estímulo para uma percepção de novas informações acrescentando-as ao sistema cerebral.

CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES FINAIS

O desencadear das funções de cada hemisfério cerebral constitui o embasamento para a compreensão da maneira como a aprendizagem se desenvolve. Os estímulos, singularidades cerebrais de cada ser humano caracterizam a maneira peculiar de como essa aprendizagem será caracterizada.

O estudo das funções cerebrais é uma espécie de passaporte para o entendimento de como se processa a aprendizagem, já que a mesma depende de estímulos cerebrais para que se desempenhe de maneira mais eficaz.

Certamente, cada indivíduo possui uma maneira própria de como aprender, no entanto, isso dependerá muito da maneira como estimula seu cérebro. Isso diferencia indivíduos de mesma faixa etária ou mesma classe, visto que a aprendizagem é a resposta desses estímulos.

Futuramente, a criança ou o jovem que exercitaram mais os dois hemisférios do cérebro terão menos chances de adquirir patologias relacionadas ao cérebro como o mal de Alzheimer, do que quem não exercita sua mente.

O bom funcionamento do cérebro depende da maneira como é tratado, como é estimulado. É preciso lembrar sempre de que, assim como qualquer parte do corpo humano, o cérebro precisa de atenção específica, cuidados específicos, pois, conforme os anos passam mais energia o corpo busca e, no entanto, quando a mesma não se faz presente, o cérebro é o primeiro a sentir falta. Portanto, é necessário estimular o cérebro adicionando novos dados, mudando nossa rotina cotidiana, buscando aprender novas coisas em todo tempo, conhecendo inclusive, novas pessoas, conhecendo então novas experiências e até participando de novas experiências, por que não?

Fica a indagação acima para estimular seu cérebro ao desafio do exercício neuróbico, lembrando ao caro leitor da necessidade de executar atividades diferentes, fora da rotina, fato importante para a aprendizagem. Atividades como palavras cruzadas são excelentes, mas a neuróbica ainda é mais fácil de ser aplicada, haja vista que os exercícios são mais simples.

REFERÊNCIAS

CARNEIRO, Celeste. A arte e o cérebro no processo de aprendizagem. Universidade Estadual de Campinas, 2000. Disponível em:

http://www. cerebromente. org.br/ n12/ opiniao/ criatividade2.html. Acesso em 27 abr. 2011.

GOMES, Pedro Lourenço. Bases cerebrais da percepção de fonemas do bebê. Traduzido de Ghislaine e Deahene Lambertz. 1999. Disponível em http://www.gomestranslation.com/ artigos/translated_articles/deahene_lambertz.doc+percepção+sonora+dos+bebes. Acesso em 28 abr. 2011.

GOUVEIA, Magaly. O cérebro e as artes. 2011. Disponível em http://www.amopintar.net/ o-cerebro-e-as-artes.html. Acesso em 29 abr. 2011.

KATZ, Lawrence. Mantenha seu cérebro vivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2010.

RATO, Inês Estela Martins Nisa. A pessoa criativa: perspectivas em saúde mental. Universidade de Coimbra: Faculdade de Medicina. 2009.

SILVEIRA, Mara Musa Soares. Artigo: O funcionamento do cérebro no processo de aprendizagem. 2004.

WEISS, Maria Lucia Lemme. O aprender: suas diferentes formas e seus diferentes momentos. Seminário da Associação Brasileira de Psicopedagogia – Seção Rio de Janeiro, 16 de jun, 2007.

PEYCHAUX, Lídia. Acessando o Hemisfério Direito do Cérebro. A Arte Como Ferramenta Para Desenvolver a Criatividade. Rio de Janeiro, Papel virtual Editora, 2003.



[1]Psicopedagoga, Especialista em Neuropsicologia, Psicanalista e Pedagoga. Professora do curso de Psicopedagogia Clínica e Institucional- PósGrad em Vitória da Conquista-Ba, Psicopedagoga Clínica e Psicanalista- Consultório de Psicologia AtivaMente, Psicopedagoga CREAS e Secretaria de Educação em Livramento-Ba. psicomarciarodrigues@yahoo.com.br

[2] Graduanda do VIII semestre do Curso de Pedagogia. Universidade do Sudoeste da Bahia- UESB

Pós-Graduanda do Curso de Psicopedagogia Institucional e Clínica (Pós-Grad) millinha_imw@yahoo.com.br

EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA

O professor e a educação especial e inclusiva, saberes e práticas




Márcia Regina Silva Rodrigues[1]

Durcelina Maria das Flores[2]

Maria das Dores Santos Silva[3]

Maria Neide Neves da Silva[4]

Valdice Ramos da Silva[5]

Resumo

A Educação especial e a inclusão de todos os alunos apresenta muita dificuldade na prática. A inclusão e a diversidade são temas cada vez mais discutidos na educação brasileira. Nos dias atuais as escolas estão oferecendo, criando e reorganizando seus espaços para receber alunos com necessidade especiais ou pelo menos deveriam pensar em realizar estas adaptações. Como incluir alunos com necessidades especiais? A problemática apresentada por esta pesquisa está centrada no tema o professor e a educação especial e inclusiva, saberes e práticas, a situação pesquisada nasceu de uma urgência das alunas de pedagogia em aceitar um aluno especial oferecendo a ele qualidade educacional. Buscou-se contextualizar as experiências das profissionais que analisaram em sua pesquisa a vivência da formação dos professores, contribuindo assim para a análise das perspectivas do profissional da educação frente a nova realidade que batia a porta. Como incluir? Foi a pergunta que este artigo tentou responder. Observou-se a situação na inclusão de uma criança especial matriculada na unidade particular de ensino, Escola Castro Alves, situada na cidade de Livramento-Bahia, no ano de 2009. A metodologia utilizada foi qualitativa baseada em referencial bibliográfico e pesquisa-ação. O objetivo deste estudo visa adquirir conhecimentos teóricos para implantar uma prática diferenciada que atenda todas as individualidades. A resposta encontrada foi aprender a ressignificar a realidade partindo da mudança do conceito do que é especial e escola inclusiva e como fazer inclusão sem excluir. É uma pesquisa de cunho social que serve de modelo para muitas escolas e professores interessados no tema proposto.

Palavras-chave: Educação especial, Inclusão, Formação, Diferenças

Todos têm direito à educação. Há alguns anos essa perspectiva só seria proferida após uma série de ressalvas, pois a mesma não poderia ser aplicada no sentido geral, existindo limitações reais que impediam o acesso dos alunos especiais com suas particularidades na escola.

Nos tempos atuais, principalmente no Brasil, é notória a luta a favor da inclusão da sociedade civil, de políticos, ONGs e de educadores em prol da inserção das pessoas especiais nas várias instâncias da vida social, o que recai inclusive sobre o ensino na rede regular de educação.

É necessário sempre enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino, não consiste apenas na permanência, juntamente aos alunos com desenvolvimento normal.

Por isso a necessidade de integrar os alunos especiais, visa a busca por possibilidades para trabalhar com o desenvolvimento cognitivo, cultural e social, respeitando suas diferenças e atendendo às suas necessidades.

A aprendizagem é variada, e desenvolver as habilidades é essencial para que as pessoas com deficiência não se sintam excluídas e os demais alunos as percebem e respeitem suas limitações.

Esta pesquisa tem o objetivo de investigar e observar a problemática da inclusão na Educação Especial, na escola particular “Castro Alves”, no município de Livramento-Bahia, no ano 2009, pois a instituição de ensino encontrou algumas dificuldades para o acesso de alunos com necessidades especiais.

Buscou-se refletir sobre a educação especial com base em uma metodologia qualitativa centrada na referência bibliográfica das pesquisas de Bruno (2206), Perrenoud (2001), Souza (1991), Cury (2002), Vygotsky (1989), Skliar (1997), Antunes (2002), Morin (2006), Bordignon (2006), Demo (1997), Sassaki (2002), Meira (2001), a pesquisa de campo voltou-se para pesquisa-ação na escola observada, analisando a situação referente a matrícula de um aluno especial e a falta de base empírica e teórica para realizar um trabalho confiante e de qualidade, esta trabalho acadêmico servirá de subsídios aos educadores, os quais recebem os alunos especiais em sala de aula e tem o compromisso de contribuir com a construção do conhecimento de todos.

O presente artigo subdivide-se em três partes, primeiramente tratou-se do tema no contexto da educação na diversidade, em seguida voltou-se a pesquisa para o levantamento teórico para dá base à prática, e o terceiro ponto apresenta a prática na escola “Castro Alves”, após finaliza-se com as recomendações finais.

1- EDUCAÇÃO ESPECIAL: A Educação na Diversidade.

A origem da educação é tão antiga como o surgimento do homem e vai além da criação de instituições para este fim, como a escola. O seu termo, em sentido amplo, compreende os processos, ações, relações, tempos e espaços de interação humana. Somente se fala em educação no contexto das relações sociais e culturais.

O conceito de Educação não foi o mesmo ao longo do tempo, alterando-se a depender dos interesses e das necessidades da sociedade que intencionava educar seus membros.

A história da deficiência sempre foi marcada por rejeição, preconceito e discriminação. Fazendo um giro pela literatura, conta-se que na Roma Antiga as crianças que nasciam com deficiência eram afogadas, até o início da era cristã, por serem consideradas anormais e débeis. Platão relata que, na Roma Antiga, estas crianças eram sacrificadas ou escondidas pelo poder público.

Desde a Idade Média, as pessoas com deficiência passaram a ser identificadas, mas não podiam ser atendidas devido aos seus limites físicos e as crenças espirituais da sociedade da época. Os cegos e surdos eram vistos com dons e poderes sobrenaturais.

Ocorreram várias contradições entre sentimentos e atitudes frente a deficiência, em alguns momentos, estas pessoas eram tratadas ora com rejeição, superproteção, piedade e até compaixão, dando surgimento as ações sociais, religiosas e filantrópico como hospitais, prisões e abrigos. Segundo Bruno

A Idade Média conviveu com grandes contradições e ambivalência em relação às atitudes e sentimentos frente à deficiência. Os deficientes mentais, os loucos e criminosos eram considerados, muitas vezes, possuídos pelo demônio, por isso eram excluídos da sociedade. Aos cegos e surdos eram atribuídos dons e poderes sobrenaturais. No pensamento dos filósofos cristãos, a crença também oscilava entre culpa e expiação de pecados e, finalmente, com Santo Tomás de Aquino, a deficiência passa a ser considerada como um fenômeno natural da espécie humana. (2006, p. 09)

Por muito tempo a escola restringiu o acesso das pessoas consideradas “anormais” na vida escolar e no convívio social, pois estas eram tidas como inaptas para o desempenho de papéis na sociedade.

A educação das pessoas deficientes nasceu com caráter assistencial e terapêutico devido a preocupação de religiosos e filantrópicos. Surgiram, por exemplo, tentativas, para ensinar o mudo a falar.

O olhar para a educação dos deficientes mentais partiu de um médico que baseou sua metodologia na experiência do menino selvagem de Ayeron (sul da França). E assim, foram dados os primeiros passos para o surgimento da educação especial.

Entretanto, mudanças vêm ocorrendo no cenário educacional e social, estas transformações vem contribuindo para que pouco a pouco a educação venha ser trabalhada em prol de alcançar a todos, respeitando a individualidade e a diversidade, anteriormente renegada. No tocante a este aspecto Bruno relata

A Declaração dos Direitos Humanos (1948) vem assegurar o direito de todos à educação pública, gratuita. Essas idéias, reforçadas pelo movimento mundial de integração de pessoas com deficiência, defendiam oportunidades educacionais e sociais iguais para todos, contribuindo fortemente para a criação dos serviços de educação especial e classes especiais em escolas públicas no Brasil. Surge, dessa forma, uma a política nacional de educação, ancorada na Lei Nº 4.024/61 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), com a recomendação de integrar, no sistema geral de ensino, a educação de excepcionais, como eram chamadas na época as pessoas com deficiências. (2006, p. 10).

A educação na diversidade é um tema extremamente atual, pois se refere à diversidade étnica, cultural e sexual, deve-se manter respeito às diferenças cujo sinônimo não corresponde à superioridade de uns sobre a inferioridade de outros. Tem-se diferenças em todos os momento em sala de aula, exemplo disto é a aprendizagem.

Segundo Perrenoud (2001, p.105), “como os estudantes são diferentes, convém propor-lhes situações de aprendizagem diferentes, não só às vezes, mas sempre que isso for pertinente.” Nos dias atuais muitos trabalhos científicos, divulgam que o ideal do trabalho pedagógico é focar aquilo que cria obstáculos à progressão, isto é, buscar diferenciar em função da experiência, deixando de programar várias semanas de antecedência os assuntos que irão contribuir com o desenvolvimento do ensino-aprendizagem.

No contexto da diversidade é imprescindível que a escola e a sociedade lance um novo olhar para as pessoas com deficiências, propondo repensar ideais preconceituosos cristalizados socialmente e que dificultam a inclusão desses sujeitos. Segundo H. Souza (1991), uma das condições mais fundamentais da democracia é o respeito às diferenças, pois a democracia engloba diferentes formas de relação entre os homens, que se estabelecem a partir da consideração das diferenças e do diálogo, e não se limita a ser um espaço institucional da política.

2- O que dizem os pesquisadores sobre a educação inclusiva

A pesquisa levantada para subsidiar o trabalho pedagógico inclusivo na escola “Castro Alves” partiu da premissa que “todos somos diferentes”, ninguém pensa igual. O fator determinante destaca-se no fato de que o mais importante para uma pessoa, seja ela especial ou não, é saber que alguém se preocupa com o ela e respeita suas individalidades.

As palavras de Cury (2002) trazem a reflexão de como os professores devem atuar em educação inclusiva, todos são iguais, não existe o “normal” e o “diferente”, todos fazem parte da mesma raça, a raça humana. O exemplo de Jesus Cristo, citado pelo autor ensina uma atitude inclusiva.

Se você compreender algo sobre a complexidade dos fenômenos que se encenam no palco de nossa mente e que constroem as ideias, descobrirá que não existem árabes ou judeus, americanos ou alemães, negros ou brancos, somos todos uma única e apaixonante espécie. O mestre da vida, Jesus Cristo, era profundamente apaixonado pela espécie humana. Ele dava uma atenção especial a cada ser humano. Os miseráveis eram tratados como príncipes e os príncipes, como reis. (p. 17)

Para Vygotsky (1989), o desenvolvimento humano é visto como uma prática social em que as crianças participam de atividades culturais baseadas nas atitudes dos colegas ou adultas os quais apresentam mais experiência. Desta maneira, entende-se que a aprendizagem é o resultado da influência de outras pessoas que representam significativamente os diversos momentos da vida, contradizendo a ideia de sujeito biológico sem incluir o social. Assim, o professor é levado a buscar informações no ambiente do aluno, o qual apresenta as condições necessárias ao aprendizado.

É muito fácil ser simplista, buscar somente uma causa para um determinado problema. Normalmente existe um conjunto de causas. Não se trata de aceitar a primeira causa, percebida como a única e verdadeira. Para Skliar (1997, p. 38) Montessori propôs, em 1898, uma abordagem para o trabalho com a pessoa com deficiência intelectual, ultrapassando as técnicas usadas na medicina. A médica abordava o alcance do educando, sua autoestima, autoconfiança, seus níveis de aspiração e sua autoconsciência.

Há uma necessidade incessante do ser humano em sentir-se compreendido, existem numerosos estudos sobre técnicas de comunicação. Entender o outro, ou expressar-se é uma das múltiplas inteligências, segundo Antunes (2002) a Inteligência é um potencial biopsicológico, uma capacidade para resolver problemas e criar ideias. O autor relata também que capacidade é o poder humano de receber, aceitar e apossar das demandas externas e internas.

A teoria de Morin apresentada por Coelho em suas pesquisas diz que

A complexidade de um novo mundo em processo e pois a nova perspectiva, por meio da qual o novo conhecimento deve ser procurado. É essa grande bandeira que Morin vem levantando em sua cruzada pelo mundo, instigando as pesquisas de um novo saber e apontando o pensamento complexo e o método transdisciplinar como possíveis caminhos de busca. Não há duvida de que esse é o grande problema do ensino e da pesquisa, em nossos dias: o do conhecimento a ser descoberto, não mais isolado como algo em si, mas em suas complexas relações com o contexto a que pertence. (2006)

A família tem um papel decisivo na formação da criança, e consequentemente na sua trajetória escolar e bem como na forma como este sujeito irá interagir nos espaços sociais. As primeiras experiências vividas e mais significativas partem do contexto familiar.

Segundo Bordignon (2006, p. 37). “O sucesso ou insucesso dos outros inumeráveis papéis que vamos exercer ao longo de nossa história (aluno, profissional, por exemplo), dependerão, em grande parte, do sucesso ou do insucesso de nossas relações dentro do sistema familiar”.

Compreende-se que não existe um único encaminhamento pedagógico para a aprendizagem dos educandos. O tipo “tamanho único” não funciona nessa perspectiva de trabalho inclusiva.

“O termo necessidades educacionais especiais refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem. As escolas têm de encontrar maneira de educar com êxito todas as crianças, inclusive as que têm deficiências graves.” (BRASIL, 1994, pp. l7-l8).

Ao professor cabe o esforço de ajuntar todas as teorias modernas de aprendizagem. “Um professor competente jamais aceitaria ser enquadrado numa teoria qualquer, porque imagina ser capaz de fazer a própria” (DEMO, 1997).

3- A prática: medos e expectativas X desafio e pesquisa

A educação de um modo geral, precisa ser melhor conduzida, quanto mais a educação especial. Neste caso, é urgente uma reorganização de ensino para oferecer condições adequadas de aprendizagem a todos os alunos, independentemente de suas especificidades. Como afirma Sassaki

[...] é imprescindível dominarmos bem os conceitos exclusivistas para que possamos ser participativos ativos na construção de uma sociedade que seja realmente para todas as pessoas, independentemente de sua cor, idade, gênero, tipo de necessidade especial e qualquer outro atributo social. (2002, p. 27)

Na escola “Castro Alves”, instituição escolar, na qual, as alunas do curso de Pedagogia atuam, observou-se uma dificuldade dos professores em incluir. Ao receber um aluno especial pela primeira vez, a equipe pedagógica deparou-se com um desafio, como incluir? Este fato inquietou as pesquisadoras a buscar fontes para subsidiar a realidade que a escola teria que enfrentar. Considerando o que diz o ministério da educação sobre a educação inclusiva

Capacidade das escolas de atender a todas as crianças, sem qualquer tipo de exclusão. Ou seja, inclusão significa criar escolas que acolham todos os alunos, independentemente de suas condições pessoais, sociais ou culturais. Escolas que valorizem as diferenças dos alunos como oportunidades para o desenvolvimento dos estudantes assim como dos professores, em lugar de considerá-las um problema a resolver. (BRASIL, 2005, p. 35)

Na reflexão acerca da formação e constituição do professor numa perspectiva inclusiva, entende-se que há uma necessidade de que sociedade e escola busquem reestruturar o currículo repensando sobre as concepções da educação e por meio deste processo partam para a organização de práticas pedagógicas diferenciadas para atender ao novo público.

A primeira atitude tomada pela equipe foi levantar informações teóricas sobre a inclusão e a educação especial. Este momento foi cercado com muito medo, os professores não sabiam como agir e nem que atitude tomar frente ao aluno especial.

Os profissionais sabiam que as chances de sucesso da inclusão estavam pautadas na avaliação e análise das possibilidades que a criança especial apresentava para acompanhar o processo ensino-aprendizagem. Descobriram que deveriam traçar o plano de ação, e que o professor e a escola deveriam constituir um trabalho conjunto e interdisciplinar, no qual as particularidades do aluno seria base. “[...] A escola inclusiva não deve ser a escola que ‘oferece tudo para todos’. Este é um lugar impossível” (MEIRA, 2001, p.48).

A escola deve lutar para ser inclusiva em todos os momentos, pois todos os alunos possuem particularidades “[...] a homogeneidade é ilusória, [...] estas crianças deverão ser demandadas a partir do estágio em que se encontram, sem que se funde o mito de que ‘são todas iguais’” (MEIRA, 2001, p.50) e com este conceito rompe-se com a estrutura de especial somente porque apresenta uma deficiência em alguma área.

A instituição educacional deve buscar tomar uma iniciativa baseada em mudanças significativas que requerem empenho e organização de todos os envolvidos na educação, seja equipe pedagógica, técnica, alunos, família e governo. Após envolvimento de todos, parte-se para a possibilidade em propor atividades que trabalhem com a produção de saber em relação ao que a criança é capaz de sustentar, respeitando as diferentes posições. sol somente porque apresenta uma deficiencia unos possuem particularidades e com este conceito r.

As atividades supervisionadas foram realizadas visando melhor aproximar os professores a conhecer e reconhecer os fundamentos da educação especial, bem como a sua dimensão na prática. Observa-se que a mesma é uma instância da educação que precisa ser melhor explorada, melhor entendida e, principalmente melhor aplicada na prática.

4- Considerações finais e recomendações.

Pelo que foi visto até então, a questão da educação direcionada as pessoas com necessidades especiais é um assunto extremamente polêmico, e que precisa ser avaliado com mais cautela, pois os aspectos positivos que as abordagens teóricas mais inovadoras como a inclusiva propõem, infelizmente, em muitos aspectos não são aplicados na prática.

Hoje, de modo geral, as escolas têm tentado se adequar para receber alunos com necessidades educacionais especiais, seja adquirindo materiais didático-pedagógicos para o ensino, pela contratação de profissionais especializados, como capacitação de professores para trabalhar com crianças especiais. Há também, uma preocupação em adaptar o espaço físico das escolas para recebê-las.

Na escola “Castro Alves” buscou-se o conhecimento baseado nos teóricos da área e com base nas pesquisas solicitou de todos, os envolvidos, apoio e paciência com a construção entre erros e acertos na nova metodologia que a instituição iria investir. Chegou-se a conclusão que atuar em educação inclusiva não é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças como se pensava. É gratificante saber que pode-se ajudar a contribuir para o crescimento de uma pessoa.

Por fim, vale dizer que os professores aprenderam com a experiência adquirida por meio da prática aliada a teoria, levantaram a bandeira da formação em educação especial para a inclusão como um compromisso tendo como meta a formação inicial e continuada, assumindo responsabilidade em transmitir os conteúdos visando construir o conhecimento por meio do exercício da docência bem como conhecimentos específicos da área em evidência.

A escola “Castro Alves” continua na luta pela inclusão, fato este comprovado por meio deste artigo que foi construído em cima de incertezas, com ajustes e desajustes, aprendendo e desaprendendo, mais o que ficou como solução ao problema levantado, “como incluir?”, foi a resposta encontrada a problemática, somente inclui quem se inclui, quem busca conhecer, quem abre os olhos para novas possibilidades e perspectivas de mudança e inovação da prática educacional, quem assume responsabilidades e agarra qualquer ponte de ajuda.

Foi isto que a equipe pedagógica fez, buscou conhecer e discutir o tema, que até então não havia adentrado em suas realidades, via de regra, era questão voltada para as grandes escolas particulares, para as escolas públicas, enfim, mas em certo momento passou a ser problema exclusivo da escola “Castro Alves”, que transformou em discussão acadêmica, o qual contribuiu com a formação destas profissionais de educação, ajudando em suas práticas educacionais dentro e fora de uma sala de aula.

O objetivo proposto foi alcançado, as graduandas do curso de pedagogia puderam embasar a proposta inclusiva na escola e orientar o corpo docente, discente e os pais para ajudarem na nova realidade educacional. Espera-se que este trabalho científico e acadêmico gere oportunidades para outros interessados no tema continuar a pesquisa e a luta pela educação especial e inclusiva como direito de todos e para todos. Aos professores, pedagogos e demais interessados fica a oportunidade de discutir sobre os teóricos da área para respaldar as suas práticas.

Referências

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VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989.



[1] Especialista em Psicopedagogia e em Neuropsicologia, Graduada em Pedagogia (UNEB). Psicopedagoga clínica e institucional. Professora do curso de Psicopedagogia PósGrad/Unibahia, Tutora dos cursos de Letras e Pedagogia Sistema Eadcon. Palestrante.

[2] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

[3] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

[4] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

[5] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

INDISCIPLINA EM SALA DE AULA

Indisciplina na Sala de Aula




Márcia Regina Silva Rodrigues[1]

Durcelina Maria das Flores[2]

Ilmara Spínola Silva[3]

Resumo

A indisciplina em sala de aula é um dos maiores problemas que as escolas enfrentam, em seu cotidiano. Percebe-se que a indisciplina vem se agravando, cada vez mais. Este artigo descreve uma visão acerca da indisciplina em sala de aula. Antigamente, a educação era diferente, por causa da rigidez, em que o professor falava e todos ouviam, atualmente, tem-se uma abordagem educacional bem diferente. Então, o que levaria os alunos a praticarem a indisciplina em sala de aula? Este trabalho tem um novo olhar em relação a indisciplina, estudando conceitos moral e ético e adotando-os como conhecimento necessário ao processo educacional e ao público infantil do Ensino Fundamental. A justificativa deste trabalho fundamenta-se no fato de que as estudantes de pedagogia vivenciaram situações de comportamentos agressivos em sala de aula durante o estágio. A partir das inquietações surgiu a ideia e o interesse em pesquisar o tema “a indisciplina em sala de aula”. O objetivo desta pesquisa é investigar as causas da indisciplina nas turmas de 1ª a 4ª Séries do Ensino Fundamental da escola “Lélis Piedade”, no município de Livramento de Nossa senhora - BA, compreendendo entre os anos de 2008 e 2009. Na metodologia busca utilizar referências bibliográficas e pesquisa-ação. Destacam-se os resultados embasados na bagagem do educando, quando a mesma ainda criança chega à escola trazendo consigo sua cultura familiar e se junta aos colegas, com diferenças culturais que definem seus valores, suas crenças e hábitos que vão se transformando e gerando a violência na instituição escolar.

Palavras-Chave: Indisciplina, Mau Comportamento, Problemas Sociais e Familiares, Sala de aula.

Vivencia-se em todo território nacional uma inquietação quando se relata o termo “indisciplina em sala de aula”, muitos buscam apresentar receitas prontas para o caso citado, outros buscam culpados e assim o problema se arrasta sem maiores soluções. A partir das inquietações de muitos educadores, surgiu a ideia e o interesse de pesquisar este assunto, que é de tão grande repercussão entre professores e funcionários de escolas públicas e privadas.

Esta pesquisa tem por objetivo investigar as causas da indisciplina na sala de aula, da 1ª a 4ª Séries do Ensino Fundamental, na Escola Municipal “Lélis Piedade”, no município de Livramento de Nossa Senhora- BA, compreendendo entre os anos de 2008 a 2009, buscando abordar o tema proposto e vivenciado, nas salas de aula desta unidade de ensino.

Por meio da metodologia de uma pesquisa-ação de cunho descritivo buscou relatar de forma teórica o problema da indisciplina, a pesquisa contou com referencial bibliográfico embasado nas pesquisas de Castro (1995), Freire (1992,1996), Oliveira (2000), Behrens (1996), Souza e Silva (1997), Carvalho (2009), Veronce e Costa (2006), Piaget (1977), Vygotsky (2000), Libâneo (1986), Sutter (2007) e Silva (2005 e 2008) dando uma abordagem descritiva a situação-problema encontrada neste ambiente educacional. As observações aconteceram durante o estágio do curso de pedagogia.

A escolha por esta unidade de ensino está no fato das graduandas do curso de pedagogia terem observado situações que despertaram o interesse das mesmas em levantar respostas ao que presenciaram na escola-campo, onde foram realizadas as observações e os estágios do curso de pedagogia 2007, para identificar e tentar compreender o “Por quê” desse comportamento agressivo e desinteressado, por parte dos alunos, que estão invadindo e gerando transtornos e preocupações, para funcionários e professores deste estabelecimento de ensino.

No primeiro momento será levantado questões comparativas sobre a educação de antigamente e a dos dias atuais, o que pretende-se não é pensar na disciplina que se tinha antes, visando centrar a educação nos métodos utilizados em tempos antigos, mas objetiva-se realizar um passeio na história da educação de nosso país.

No segundo momento levanta-se questões sobre as brincadeiras, os conflitos sociais, culturais e familiares no ambiente escolar, as responsabilidades dos pais e para finalizar as considerações finais.

Este é um tema de grande relevância para a educação, causando polêmica em toda rede de ensino. São estudantes rebeldes e indisciplinados, que não prestam atenção na explicação do professor, conversam o tempo todo e falam no celular, quebram carteiras, jogam papéis no chão e nos colegas, andam na sala e não tem concentração em nada. O que levaria esses alunos a praticarem tais atos, em sala de aula?

1- A Educação de Antigamente e de Hoje

A humanidade sempre teve a necessidade de falar em público, se comunicar com multidões, intervir nos conselhos restritos do poder, para isso, era necessário aprender a ler.

No Brasil a educação iniciou-se no período colonial, através dos Jesuítas que chegaram em 1549, chefiados pelo Padre Manoel da Nóbrega. Em 1759 com a expulsão dos padres Jesuítas foram feitas reformas e muitas mudanças ocorreram de lá para cá.

Naquele tempo o sistema de educação era bastante precário as escolas ficaram nas fazendas, os padres ensinavam os filhos fazendeiros e de escravos. Nas cidades a educação era passada de pai para filho, com o objetivo de desempenhar algumas funções, entre elas a de ser padre.

O mestre era muito rígido com seus alunos e aplicavam castigos abomináveis. Nos dias atuais, o sistema de ensino modificou-se totalmente. Os professores são mais liberais e amigos dos alunos, há diálogo entre eles. O educador é um mediador entre o conhecimento, e a criança passa a ter sempre razão em tudo o que faz. Fernandez de Castro sobre a profissão de professor relata

A profissão docente, ainda que, como quase todas as demais profissões, pode ser exercida de forma autônoma, significativamente, é uma profissão assalariada cujo exercício está predefinido por quem a contrata que também determina a sua relativa autonomia no exercício do poder que lhe atribui. O conhecimento do prestigio social que a sociedade outorga a essa profissão, do nível econômico em que a situa o valor de troca e do lugar relativo que ocupa sua formação sobre uma escala de cultura, permite conhecer seu estrato social e, em ultima instancia, a mobilidade social ascendente ou descendente que a afeta. (1995, p. 96).

Os educandos temiam as punições e esse medo levava a obediência e a subordinação. Além de submetidos a uma rigorosa fiscalização, não podiam se posicionar utilizando-se de questionamentos e reflexões. Os professores eram considerados modelos, em virtude do conhecimento que possuíam, agiam como donos do saber.

Essa é a base da escola participativa, na qual o aluno assume um papel central no aprendizado e o professor de fonte única do saber passa a ser mediador do ensino-aprendizagem. Para Freire (1996), ensinar não é transferir conhecimento, ensinar “é construção”. Partindo deste pressuposto, o educador deverá entender que o aluno precisa se desenvolver num ambiente de liberdade.

As ideias de Freire construíram um caminho para a Pedagogia da Esperança, ele descreve que o seu “pecado” fora alfabetizar para a conscientização e a participação política. “O educando precisa assumir-se como tal, assumir-se como sujeito que é capaz de conhecer e que quer conhecer em relação com o outro sujeito igualmente capaz de conhecer, o educador, entre os dois, possibilitando a tarefa de ambos, o objeto do conhecimento” (1992, p. 47).

Diante destas palavras do pedagogo Paulo Freire, a equipe escolar deverá procurar identificar as possíveis causas da indisciplina, e principalmente propiciar momentos de reflexão sobre o que a escola busca para destacar como disciplina e, realizar a mudança de postura dentro da escola a partir do Projeto Político Pedagógico, e realizar mais projetos voltados para pais, alunos e professores.

2- Brincadeiras Coletivas

Inicialmente, as crianças brincam sozinhas, incorporando papéis sociais de mãe, de pai, depois começa lentamente a abrir espaço para o outro e inicia tentativas de ser aceito no grupo para as brincadeiras coletivas. Aprende a brincar com outras crianças e percebe que para fazer parte de um grupo, precisa aprender a controlar seus impulsos de agressividade e hostilidade, mas nem sempre acontece isso. Muitas vezes, elas se agridam entre si. Conforme Oliveira (2000, p. 22)

O espírito lúdico da convivência prazerosa e criativa, que vinha sendo praticamente desenvolvido desde o nascimento, com o próprio corpinho e com a mãe, e depois no faz – de- conta solitário, passa pouco a pouco a fazer parte do universo social, agora transversal, entre pares, com sua complicada trama de relações, suas regras e acordos, muitas vezes ainda implícitos e velados.

É de muita importância a convivência entre colegas, buscando sempre se relacionar, oportunizando aos educandos a participação de atividades educativas, em equipe, para construírem espírito de participação, coleguismo, solidariedade e de união obtendo outros ensinamentos para despertar a disciplina e o respeito pelas diferenças e por outras pessoas.

Segundo Behrens, “instrumentalizar os alunos para que participem de processos coletivos convivam e discutam com pessoas, defendam seus argumentos, inter-relacionem-se e integrem-se aos grupos (coletivos) para a construção de novos conhecimentos” (1996, p. 46). As brincadeiras são fontes de avaliação, por meio delas pode-se observar como se processa o contexto individual de cada aluno, bem como suas visões de mundo.

2.1 Conflitos Sociais, culturais e Familiares no Ambiente Escolar

As conversas, o desinteresse, as brincadeiras e a falta de motivação por parte dos professores são causas de problemas sociais, familiar, culturais. Tudo isso, também são motivos, para o grande número de repetência estudantil, prejudicando imensamente o estado emocional e psicológico dos alunos.

O reconhecimento da importância da família para o processo educacional é mencionado em vários artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9.394/96), que estabelecem a obrigação das instituições de ensino e de seus docentes se articularem com as famílias, visando integrá-las à escola, e auxiliarem a fortalecer os vínculos familiares (Souza e Silva, 1997).

Percebe-se que esse problema vem se agravando cada vez mais, devido as questões pessoais que o ser humano enfrenta no cotidiano, como: filhos de pais usuários de drogas, brigas entre casais, filhos abandonados, o desemprego, etc. Carvalho relata o seguinte:

Hoje em dia não podemos mais falar da família brasileira de um modo geral, pois existem várias tipos de formação familiar coexistindo em nossa sociedade, tendo cada uma delas suas características e não mais seguindo padrões antigos, nos dias atuais existem famílias de pais separados, chefiadas por mulheres, chefiadas por homens sem a companheira, a extensa, a homossexual, e ainda a nuclear que seria a formação familiar do início dos tempos formada de pai, mãe e filhos, mas não seguindo os padrões antiquados de antigamente. (2009, p. 01)

Muitas crianças, sem ter o que comer e muitas vezes vão para á escola por causa da merenda, que lhe serve de alimento. Tudo isso, afeta profundamente as crianças e adolescentes, que reagem de várias maneiras, como a irritabilidade, agressividade, a conversa, o desinteresse pela aula, a distração, a preguiça, a falta de concentração e deficiência de aprendizagem.

Veronese e Costa ajudam a entender este pensamento: “outro fator preocupante é a ameaça de exclusão social, face ao aumento da pobreza, dos índices de desemprego, responsáveis pelo o desequilíbrio estrutural de muitas famílias”. (2006, p. 94).

Um dos enfoques necessários na compreensão da relação entre disciplina e indisciplina é a questão do desenvolvimento o qual é construído pela criança desde pequena, a partir da sua interação e convivência com outras pessoas, na família, na escola, nos grupos de convívio social, nos contatos com as mensagens que a mídia transmite etc. A compreensão da construção das regras de convivência dos grupos sociais encontra sustentação teórica em vários autores da psicologia, entre os quais destaca-se Piaget (1896- 1980) e Vygotsky (1896-1934).

A teoria de Piaget (1977) fala do desenvolvimento moral e cognitivo associando assim, o desenvolvimento moral e maleável dos alunos de coordenações cognitivas e descentração com seu parecer e outras pessoas. Piaget trata a moral como forma de equilíbrio que a criança adquire a qual encontra sustentação no convívio social, nos contatos com a mídia, entre outros.

Segundo Vygotsky (2000), uma das principais contribuições para a educação é defender que os processos de aprendizagem é o motor do desenvolvimento, algo externo do sujeito diretamente relacionado à história e a cultura. Vygotsky também ressalta a importância do outro no desenvolvimento do individuo. Ele observa que a aprendizagem e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida do indivíduo. Para ele, o processo de ensino-aprendizagem incluiu sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre essas pessoas.

2.2- Os pais e a responsabilidade X professores e valorização

Antigamente, era a família que educava e disciplinava seus filhos. Hoje, muitos pais preferem transferir o papel educacional para a escola, omitindo assim, suas responsabilidades sobre os mesmos e buscando sobrecarregar os professores, com deveres não cabíveis.

O que a pessoa é, é representado pelos laços estabelecidos nas relações familiares. Conforme se observa nas palavras de Sutter “A família é o âmbito em que a criança vive suas maiores sensações de alegria, felicidade, prazer e amor, o campo de ação no qual experimenta tristezas, desencontros, brigas, ciúmes, medos e ódios”. (2007, p.2).

A construção de conhecimentos que a escola transmite por meio dos professores é importantíssima na educação dos educandos, mas para que esta seja alcançada o aluno deve apresentar na instituição escolar virtudes, valores e hábitos adquiridos no seio familiar.

Atualmente, os pais devem estar cada vez mais atentos aos filhos, ao que eles falam, o que eles fazem, as suas atitudes e comportamentos. E, apesar de ser difícil, a escola também precisa estar atenta. Eles se comunicam conosco de várias formas: através de sua ausência, de sua rebeldia, seu afastamento, recolhimento, choro, silêncio. Outras vezes, grito, zanga por pouca coisa, fugas, notas baixas na escola, mudanças na maneira de se vestir, nos gestos e atitudes. Os pais devem perceber os filhos. Muitas vezes, através do comportamento, estão querendo dizer alguma coisa aos pais. E estes, na correria do dia-a-dia, nem prestam atenção àqueles pequenos detalhes. (SILVA, 2008, p. 01)

Silva (2005, p. 53) relata que “Na família também se concretiza o exercício dos direitos da criança e do adolescente, que estão embasados no direito aos cuidados essências para possibilitar seu crescimento e desenvolvimento físico, psíquico e social”. A família é o elemento mais importante e deve atuar lado a lado com a escola, na participação ativa e contínua dos educandos.

A indisciplina é uma questão social que o professor tenta compreender, mas não sabe fazer milagres. Entretanto, deve-se encontrar a solução para a questão pesquisada e não adianta reclamar do baixo salário e a falta de motivação.

Qual seria a resolução da indisciplina em sala de aula? Muitos educadores convivem diariamente com o mau comportamento dos estudantes e sofrem ameaças constantes, muitos já apanharam de alunos, outros até morreram. É preciso buscar um meio para solucionar esse assunto, que está cada vez mais frequente nas unidades escolares.

Para uma solução, um dos meios seria, já que muitos alunos apresentam o motivo da indisciplina na falta de motivação das aulas, os profissionais da educação serem valorizados na sua essência e nas suas particularidades e também os professores deveriam se bem pagos e mais preparados. Para Libâneo,

A prática pedagógica é uma prática social envolvendo uma inter-relação adultos-aprendizes, observadas a fase de desenvolvimento psicológico e social destes últimos e que visa modificações profundas nos sujeitos envolvidos a partir da aprendizagem de saberes existentes na cultura conduzidas de tal forma a preencher necessidades e exigências de transformação da sociedade. (1986, p. 43).

O conhecimento se adquire a todo instante, pois a cada dia que se passa se aprende novas teorias, a todo momento, acontece um fato novo para ser pesquisado. Por isso, o professor precisa se atualizar para mediar um novo aprendizado para os estudantes, que ainda estão em formação e crescimento. A medida em que um conhecimento vai se aprimorando, surgem outros, a criança vai descobrindo e construindo seu aprendizado.

3- Considerações finais e recomendações

Diante de tantos conflitos, como essa questão, fica cada vez mais difícil transformar esses jovens e adolescentes, em pessoas do bem, por mais que as escolas se esforcem e tentem amenizar essa situação. De alguma maneira é muito complicado, mas cabe a cada um fazer a sua parte, escola, família e sociedade, para que juntos possam resolver essa problemática, que está crescendo no meio escolar.

Sendo assim as famílias precisam se esforçar um pouco mais, na educação de seus filhos, impondo limites e regras e as entidades escolares e governamentais deveriam agir em conjunto e investir em práticas educativas e pedagógicas, programas sociais, em que os estudantes participassem de oficinas em grupos com seus colegas, demonstrando assim sua participação, convivência social, valores morais e éticos, levantando a auto-estima para que haja uma transformação total na educação.

A indisciplina escolar não apresenta nenhuma receita pronta com propostas para enfrentar os problemas de comportamento dos alunos. Este trabalho auxiliou entender de maneira global a organização e a dinâmica do comportamento na escola e na sala de aula.

Ao levantar-se a situação-problema objetivando entender: o que levaria os alunos a praticarem tais atos em sala de aula? As respostas encontradas estão ligadas a conflitos culturais e familiares, drogas, necessidade de afeto por conta da ausência dos pais que trabalham fora de casa, desemprego, questões sócio-econômicas e pais que transmitem suas responsabilidades educacionais para os professores.

A pesquisa em foco, ao investigar as causas da indisciplina na sala de aula, de 1ª a 4ª Séries de Ensino Fundamental da escola-campo Lélis Piedade, observou que são vários os motivos pelos quais tudo isso está acontecendo em sala de aula, com tantos problemas encontrados no cotidiano e todos estão contribuindo com o estresse entre crianças e adolescentes em toda a rede escolar observada.

Em relação à violência escolar deve-se detectar a importância do trabalho dos professores, gestores e comunidades, quando a responsabilidade de se construir um projeto educativo e que dê resultados positivos.

A realidade escondida pelo medo, pela busca de culpados, pelo preconceito, pela ignorância, pela falta de paciência, pela desmotivação, pela necessidade de orientação, pela falta de apoio governamental e valorização profissional encobre a busca por solução para as dificuldades encontradas na disciplina dos alunos.

O trabalho que se deve buscar nos últimos tempos é aprender a descobrir soluções para a indisciplina agindo sobre a mesma com um diferencial não discutido na rede de ensino, pois, os funcionários, sejam da escola ou fora dela até mesmo os pais e os alunos somente sabem levantar acusações e neste vai e vem de insinuações e defesas todos perdem, e a bola de neve aumenta sem uma resposta satisfatória.

Ao levantar a problemática “o porquê da indisciplina em sala de aula” não pode deixar a culpa decair sobre os professores, pais e nem muito menos nos alunos, todos tem sua parcela de contribuição, e não se deve deixar de fora à falta de políticas públicas adequadas a realidade encontrada nas escolas públicas e particulares do país.

Para inicio da aprendizagem em se transformar deve-se aprender a conhecer a realidade aceitando suas limitações e buscar interagir sobre a mesma por meio de diferentes formas para amenizar o problema educacional que tanto é questionado por todos. Independente do tempo que se leva, com erros, acertos e falhas o importante é não desistir e aprender a transformar a situação que dificulta o bom andamento da aprendizagem.

Todos encontram limitações por um lado e por outro lado tem-se abertura para criação de novas possibilidades. Mediante o referencial teórico levantado no corpo do texto desta pesquisa conclui-se a necessidade de intervir na indisciplina em sala de aula por meio da mudança de atitude de cada participante da ação pedagógica – professor- aluno- pai- governo.

Para as pesquisadoras ficou a satisfação de dever cumprido ao conseguir alcançar o objetivo traçado para a pesquisa, entender o que estava por trás da indisciplina. É um trabalho de conscientização, cabe a todos os envolvidos abraçarem a causa e lutarem juntos para melhoria da prática educativa, práxis esta, que começa na família e tem-se continuidade na escola.

É válido ressaltar a continuidade desta pesquisa por concluir-se que aprender a ouvir e a torna-se agente ativo e participativo é fundamental a mudança de atitude para conseguir alcançar o objetivo final em que a educação está centrada: formar cidadãos atuantes e competentes qualificados e preparados para um futuro promissor e consciente de seus atos.

Referências

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__________________ Professora Sim Tia Não: Cartas a Quem Ousa Ensinar. São Paulo: Olho D’Água, 1993.

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SOUZA, N. P. e SILVA, E. B. Como entender e aplicar a nova LDB. São Paulo: Pioneira, 1997

SUTTER, Graziela. Refletindo Sobre a relação família – Escola. Disponível em: < http://www.webartigos.com/articles/926/1/refletindo-sobre-a-relacao-familia---escola/pagina1.html Acesso em 10 de out. de 2010.

VERONESE, Josiane Rose Petry. COSTA, Marli Marlene M. da. Violência Doméstica: Quando a Vitima é a Criança ou Adolescente. Florianópolis: Ed.OAB/SC, 2006.



[1] Especialista em Psicopedagogia e em Neuropsicologia, Graduada em Pedagogia (UNEB). Psicopedagoga clínica e institucional. Professora do curso de Psicopedagogia PósGrad/Unibahia, Tutora dos cursos de Letras e Pedagogia Sistema Eadcon. Palestrante.

[2] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

[3] Graduanda de pedagogia pela Eadcon/Fael.

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